Claro que faz uma vez que a igualdade reconhecida esbarra todos os dias com uma realidade diferente.
Eu Mulher
Olho-te deitado no chão, dormindo
na lassidão abandonado,
nos braços de Morfeu.
Nos roncos ressoando no quarto
decifro a mensagem
da singularidade masculina,
machista,
dono de todas as verdades,
todas as vontades,
todos os desejos.
E eu me sinto um trapo, um nojo
na múltipla dubiedade de papéis:
ora escrava, ora senhora,
ora súdita, ora majestade,
ora serva, ora rainha,
ora discípula, ora mestra.
Mas, em todas as faces,
todas entidades,
na essência de cada potestade
a alma de eu mulher:
dócil, explosiva, maternal,
eu sentimento, eu razão, passiva,
frágil, impulsiva, inconstante,
destemida, protetora, intuitiva,
eu cabeça, coração, vida,
eu mulher!
Desce do pedestal - sê homem, me vejas mulher!
Eu mulher!
Ione Jaeger
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